
Mais investimentos financeiros para a saúde. Este foi o tom dos discursos da abertura do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, iniciado nesta terça-feira, 7 de dezembro, em Belém/PA. “Para melhorar os indicadores sociais da saúde, temos que vencer os obstáculos políticos e isso significa mais aporte financeiro para o setor”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), Luiz Facchini. “Não se faz saúde, muito mais saúde e meio ambiente sem recursos financeiros, especialmente em um país continental. A prioridade política se expressa aportando recursos e vendo este aporte não como um gasto, mas como um investimento”, refletiu Gerson Penna, secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. Também participaram da cerimônia a diretora do Instituto Evandro Chagas (IEC), Elisabeth Santos, o diretor do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST/SVS), Guilherme Franco Netto, o coordenador do GT/Saúde Ambiental da Abrasco, Ari Miranda, e o presidente do Simpósio, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, Nelson Gouveia.

Nelson Gouveia afirmou que a industrialização e a urbanização acelerada das últimas décadas criaram impactos variados sobre a natureza. “Torna-se cada vez mais necessário desenvolver e aprofundar teorias e técnicas que auxiliem o entendimento das influências do meio ambiente na saúde.” Com o tema Ciência e Saúde Ambiental – Teorias, Metodologias e Práxis, o simpósio reúne até o dia 10 de dezembro aproximadamente mil participantes da academia e da vigilância em saúde ambiental, apresenta resultados de pesquisas em quase 500 pôsteres e 100 comunicações coordenadas, além de painéis e palestras sobre o tema.
Homenagens
Durante a cerimônia, Gerson Penna recebeu de Elisabeth Santos uma placa em reconhecimento ao seu trabalho na Secretaria de Vigilância em Saúde e sua contribuição para o desenvolvimento do IEC. O secretário agradeceu a homenagem e constatou que, cada vez mais, as discussões sobre as relações entre saúde e meio ambiente são determinantes para profissionais das duas áreas.
Também foram homenageados quatro profissionais que se destacaram na estruturação e desenvolvimento do Programa Vigiagua, que promove a vigilância da qualidade da água para o consumo humano. Rafael Bastos, da Universidade Federal de Viçosa, Julce Clara da Silva, da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Nolan Bezerra, da Secretaria de Vigilância em Saúde, e Denise Formaggia, da Secretaria Municipal de Saúde de Guaratatuba, receberam prêmio entregue pela coordenadora geral de Vigilância Ambiental da SVS, Daniela Buosi.

Conferência de abertura
Após a cerimônia, a conferência “Modelo de Desenvolvimento Ciência, Saúde e Ambiente”, ministrada por Anamaria Testa Tambellini, enfatizou a dimensão teórica da relação entre saúde e meio ambiente. “Estamos aqui para refletirmos sobre as lacunas do conhecimento a respeito da relação entre saúde e ambiente”, destacou Anamaria. Ela descreveu o momento histórico atual, identificando obstáculos econômicos, ambientais e políticos, conceituou o que é sustentabilidade, elencou a crise ambiental e os desafios para o setor. “Estabelecer um novo paradigma econômico que leve em conta os imperativos deste novo tempo em que vivemos: a natureza super explorada não é um “bem livre”; o problema prioritário é o de repartir as riquezas e eventualmente gerir a superabundância. A natureza é matriz e deve reorientar uma nova escolha de teorias, critérios e gestão econômica que se assente numa racionalidade finalizada orientada por valores éticos”, destacou.
Confira a apresentação de Anamaria Tambellini

O I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, que encerra dia 10, é promovido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), em parceria com o Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST/SVS/MS) e o Instituto Evandro Chagas (IEC/SVS/MS), ambos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. O evento reúne aproximadamente mil participantes, incluindo docentes, pesquisadores, gestores, profissionais dos serviços de saúde e outros profissionais interessados no debate sobre saúde e meio ambiente.