Título Conteúdo  Meningites » Aspectos epidemiológicos

1. Aspectos epidemiológicos

As meningites têm distribuição mundial e sua expressão epidemiológica depende de fatores como o agente infeccioso, existência de aglomerados populacionais e características socioeconômicas dos grupos populacionais e do meio ambiente (clima). De modo geral, a sazonalidade da doença caracteriza-se pelo predomínio das meningites bacterianas no inverno e das meningites virais no verão.

Uma ampla variedade de bactérias pode causar meningite. As principais bactérias, responsáveis por mais de 55% dos casos de meningite bacteriana no Brasil são a Neisseria meningitidis (que causa a Doença Meningocócica – DM), o Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenzae.

Doença Meningocócica

No Brasil a DM destaca-se como a principal causa, representando 38% das meningites bacterianas. Ocorre mais frequentemente nos menores de 05 anos de idade. É considerada um sério problema de saúde pública devido a sua severidade, evolução rápida e potencial de ocasionar epidemias. Mundialmente, ocorrem aproximadamente 500 mil casos por ano, destes cerca de 60 mil pacientes apresentam sequelas permanentes e mais de 50 mil morrem. A doença ocorre em todo o mundo, embora existam diferenças geográficas marcantes na incidência e na distribuição dos sorogrupos que causam a doença.

A Neisseria meningitidis (meningococo) é classificada em sorogrupos, determinados pela composição bioquímica da cápsula polissacaridica. Existem 13 diferentes sorogrupos, mas somente o A, B, C, W135 e Y comumente causam doença invasiva. Cerca de 10 a 30% da população é portadora assintomática do meningococo na nasofaringe.

Os primeiros casos de meningite meningocócica registrados no Brasil datam de 1906. A década de 70 foi marcada pela ocorrência de uma grande epidemia de Doença Meningocócica. Na ocasião foi realizada uma campanha de vacinação nacional, utilizadando a vacina antimeningocócica A/C. Após este período o sorogrupo A deixou de circular no país e os sorogrupos B e C passaram a ser predominantes. Na Tabela 1 estão apresentados os sorogrupos de doença meningocócica isolados com maior frequência no ano de 2009.

A partir do segundo semestre de 2010, a vacina conjugada contra o meningococo sorogrupo C foi disponibilizada no calendário de vacinação da criança para os <2 anos de idade.

Tabela 1. Distribuição dos sorogrupos de meningococo mais frequentemente isolados de casos de doença meningocócica por grupo etário. Brasil, 2009

 





 

 

 

 

 

 

*Não Agrupável.
Fonte: Organização Panamericana da Saúde. Informe Regional do SIREVA II, 2009: dados por país e por grupos de idade sobre as características dos isolados de Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis em processos invasivos.


Haemophilus influenzae

Na década de 90, o H. influenzae sorotipo b era a segunda causa mais comum de meningite bacteriana no Brasil, sendo responsável por 1.700 casos anualmente e uma incidência média anual para os <1 ano de 23,4 casos/100 mil habitantes. Após a introdução da vacina, neste mesmo ano, ocorreu redução de mais de 90% no número de casos, incidência e número de óbitos por meningite por H. influenzae.
Atualmente, o sorotipo b ainda é responsável pela maioria dos casos de meningite (35,7%), seguido pelas cepas não tipáveis (34,5%) e as do sorotipo a (22,6%) (Tabela 2).

Tabela 2. Distribuição dos sorotipos de Haemophilus influenzae mais frequentemente isolados de casos de doença invasiva por grupo etário. Brasil, 2009

*Não sorotipavel.
Fonte: Organização Panamericana da Saúde. Informe Regional do SIREVA II, 2009: dados por país e por grupos de idade sobre as características dos isolados de Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis em processos invasivos.


Streptococcus pneumoniae

Após a introdução da vacina contra o H. influenzae tipo b, o pneumococo passou a ser a segunda maior causa de meningite bacteriana no Brasil. Atualmente é responsável por 16% dos casos de meningite bacteriana. A faixa etária de maior risco de adoecimento são os <5 anos.

São reconhecidos mais de 90 sorotipos de pneumococo cuja distribuição difere por faixa etária, sintomatologia clínica e região geográfica. No Brasil, os sorotipos isolados de casos de doença pneumocócica invasiva com maior frequência de acordo com a faixa etária estão apresentados na Tabela 2.

Em 2010, a vacina conjugada 10-valente, que protege contra 10 sorotipos do pneumococo foi disponibilizada no calendário de vacinação da criança para os <2 anos de idade. Em 2011, observa-se redução de 30% no numero de casos de meningite pneumocócica para a faixa etária ≤2 anos.

Tabela 3. Distribuição dos sorotipos de pneumococo mais frequentemente isolados de casos de doença pneumocócica por grupo etário. Brasil, 2009

*Outros sorotipos.
Fonte: Organização Panamericana da Saúde. Informe Regional do SIREVA II, 2009: dados por país e por grupos de idade sobre as características dos isolados de Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis em processos invasivos.


A partir de 2000, observa-se um declínio no número de casos da DM, já no período de 2007 a 2010, observa-se um aumento no número de casos da doença, provavelmente pela melhora do diagnóstico laboratorial, e para o ano de 2011 é possível identificar uma redução de 6% no total de casos.


Até o ano de 2005, o sorogrupo B predominava no país, a partir desse ano, ocorre a inversão dos sorogrupos circulantes, passando a prevalecer o sorogrupo C em todas as regiões (exceto na região Sul).


Notificação de casos suspeitos: De acordo com a PORTARIA N° 104, DE 25 DE JANEIRO DE 2011 anexo I  é de notificação compulsória todo caso de Doença Meningocócica e outras meningites. Dessa forma, os profissionais de saúde, bem como, os laboratórios do serviço público e privado são responsáveis pela notificação.

De acordo com a PORTARIA N° 104, DE 25 DE JANEIRO DE 2011, Anexo II, surto ou aglomerados de casos de Doença Meningocócica e Meningite viral são considerados de notificação imediata logo devem ser notificados às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde (SES e SMS) em, no máximo, 24 (vinte e quatro) horas a partir da suspeita inicial, e às SES e SMS que também deverão informar imediatamente a SVS/MS. A notificação imediata será realizada por telefone como meio de comunicação ao serviço de vigilância epidemiológica da SMS, cabendo a essa instituição disponibilizar e divulgar amplamente o número na rede de serviços de saúde, pública e privada.

Na impossibilidade da comunicação com a SES a notificação será realizada à SVS/MS por um dos seguintes meios:
I - disque notifica (0800-644-6645) ou;
II - notificação eletrônica pelo e-mail (notifica@saude.gov.br) ou diretamente pelo sítio eletrônico da SVS/MS (www.saude.gov. br/svs).


2. Aspectos clínicos


Sinais e Sintomas: Febre; dor de cabeça; vômitos; náuseas; rigidez de nuca.

Período de incubação: Varia de 2 a 10 dias, média de 3 a 4 dias.

Transmissibilidade:
Varia conforme o agente etiológico. No caso da doença meningocócica, a transmissão persiste até que o meningococo desapareça na nasofaringe, o que ocorre após 24hs de antibioticoterapia. A transmissão é de pessoa a pessoa, por meio das vias respiratórias, por contato direto de gotículas e secreções nasal e da garganta do doente.

Tratamento: É realizado com antibióticos específicos, em regime hospitalar mais tratamento de suporte. Diagnóstico diferencial: Doenças febris hemorrágicas, Febre Purpúrica Brasileira e ricketsioses. As meningites assépticas com outras encefalites e meningoencefalites (Febre do Nilo Ocidental).


3. Aspectos laboratoriais

Os exames laboratoriais específicos são a Cultura, Contraimunoeletroforese (CIE), Aglutinação pelo Látex e identificação de genes específicos pela reação em cadeia da polimerase (PCR). A coleta de dados clínicos/epidemiológicos e de espécimes do paciente são imprescindíveis para confirmação do diagnóstico etiológico, particularmente o líquido céfaloraquidiano (líquor) e o sangue (hemocultura). No caso de suspeita de meningite asséptica recomenda-se também a coleta de amostras de fezes.


4. Outras informações de relevância para o agravo

A medida de controle eficaz para evitar casos secundários é a quimioprofilaxia para os contatos íntimos de casos de doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae. A droga de escolha é a rifampicina devendo ser administrada preferencialmente em até 48 horas da exposição à fonte de infecção. As vacinas são específicas e algumas fazem parte do calendário básico de vacinação da criança. Outras estão indicadas apenas em situações de surto ou para grupos especiais de risco.


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