Título Conteúdo  Medicamento barato e acessível

Lançado em junho de 2004, o Programa Farmácia Popular do Brasil já vendeu, a preço de custo, mais de oito milhões de unidades. Economia pode chegar a 400% em relação a preços do mercado
                                     
O aposentado Manoel Loiola Menezes vai todos os dias à farmácia próxima de onde mora, na cidade de Sobradinho (DF). Acompanhado de seu rádio de pilha, escolhe uma sacola de medicamentos para uma lista interminável de problemas de saúde. Hipertensão, diabetes, dor, inflamação e até calos nos pés. Quando perguntado para que tanto comprimido e pomada, diz: "Aqui é mais barato que em qualquer outro lugar. Venho e compro logo tudo o que os médicos receitaram".

A farmácia freqüentada por seu Menezes é uma das unidades que, em pouco mais de um ano, venderam oito milhões de apresentações de medicamentos para a população brasileira a preço de custo. Trata-se do Programa Farmácia Popular do Brasil. Criado pelo Ministério da Saúde para equacionar a falta de acesso da população a medicamentos o programa acabou dando origem a uma rede de farmácias que vendem produtos com média de 90% de desconto em relação ao preço de mercado.

Farmácia PopularAs farmácias populares oferecem 95 itens que correspondem a duas mil apresentações comerciais. Um dos pontos do programa é a subvenção do preço de um grupo de 12 medicamentos usados no tratamento da hipertensão e de diabetes.

Com a medida, o ministério atende a cerca de 3,5 milhões de pacientes que fazem tratamento na rede privada, sem contar aqueles que recorrem ao serviço público de saúde e também têm acesso ao Programa Farmácia Popular, de distribuição de medicamentos.

Um exemplo é o aposentado José Carlos Oliveira, 56 anos. Ele e a mulher, que moram em Brasília, entraram pela primeira vez na Farmácia Popular de Sobradinho para comprar duas caixas de anti-hipertensivo.

Depois de uma consulta realizada por um médico particular, José Carlos foi orientado a procurar a unidade do programa em Sobradinho, onde gastou R$ 22,80 por duas caixas do medicamento com 30 comprimidos. Valor três vezes menor do que pagaria em uma drogaria comercial, onde a medicação custa em média R$ 73.

Em outros casos, o produto adquirido nas farmácias populares pode significar uma economia de quase 400% para o bolso do consumidor. É o caso do antiinflamatório dexametazona, que nas drogarias comerciais da cidade de São Paulo não sai por menos de R$ 4,88 o tubo. Na farmácia popular, o medicamento custa apenas R$ 1. O exemplo  vale  também para o conhecido analgésico dipirona. O frasco de 15 ml, usado contra dores no corpo e febre, é encontrado no mercado por R$ 1,72. Na farmácia popular ele é vendido  por R$ 0,70. Isso equivale a uma diferença de 145% para o usuário.

Assim como seu Menezes, o militar reformado Hermenegildo José dos Santos, 68 anos, morador de Campo Limpo (SP), acha que a idéia da farmácia popular deveria ser estendida a todos os municípios brasileiros. Com graves problemas de gastrite, ele toma diariamente uma cápsula do remédio omeprazol,  para inibir a acidez no estômago e a sensação de queimação.
Ao final de um mês, Hermenegildo gastaria em uma drogaria comercial, R$ 92 em uma caixa com 30 comprimidos. Na farmácia popular conseguiu o mesmo produto por R$ 6,44. Ele não encontrou filas e nem teve que esperar para ser atendido. Mas Hermenegildo garante: por causa dos preços praticados na farmácia popular, ele não compraria em outro estabelecimento, mesmo que tivesse de enfrentar filas nas unidades do programa. "Não podemos continuar pagando preços exorbitantes por uma caixa de remédio. Só assim, a saúde vai passar a ser um bem universal e não mais privilégio de poucos", assinala.

A solicitação de Hermenegildo dos Santos já foi ouvida. Hoje, 26 municípios  contam com o programa. São 53 unidades espalhadas pelo Brasil. Só no estado de São Paulo, a população já pode contar com 18 farmácias populares. 

Mais 270 farmácias estão em processo de implementação e devem ser inauguradas nos próximos meses. Com as 54 já em funcionamento, são 316 habilitações (prontas ou em processo e instalação). Até o final deste ano, a meta do programa é instalar 330 unidades em todo o país, chegando a um total de 500 unidades ao final do governo.

Segundo dados do programa instalado no município de Campo Limpo (SP), cerca de 200 pessoas compram medicamentos todos os meses no local. "É um movimento grande. Às vezes formam-se algumas filas pra comprar medicamentos mais baratos", relata a farmacêutica responsável pela unidade, Marli Brantes de Almeida.

Antiinflamatório e camisinhas - A farmacêutica Marli de Almeida chama atenção também para questão da venda com receita médica. Todas as unidades só vendem medicamentos para o consumidor diante da receita médica. "Essa medida é importante para o controle da venda indiscriminada, sem orientação de um médico", afirma. Apenas preservativos masculinos são vendidos sem receita nas unidades das farmácias populares.

O funileiro paraense Alan Afonso da Silva, 29 anos, residente em Belém (PA), pegou dois ônibus para chegar à unidade localizada na rua Senador Manoel Barata. Foi buscar três caixas de anti-hipertensivo. "Não me importo com a distância. Venho porque o preço é bem mais em conta", elogia Alan.

Quem busca produtos de beleza, xampus ou cortadores de unha não irá encontrá-los em uma farmácia popular. "A concepção do programa é oferecer mais uma opção de acesso a medicamentos e acredito que temos conseguido cumprir a meta de atender a população com produtos mais baratos", observa o diretor do Programa Farmácia Popular do Brasil, Adilson Stolet.

Saiba mais sobre a Farmácia Popular
O Farmácia Popular é um programa do Ministério da Saúde desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os medicamentos oferecidos pelas farmácias populares são adquiridos pela Fiocruz - exclusivamente para o programa - em laboratórios públicos e privados e repassados à população pelo valor de custo.  Não há lucro no fornecimento dos produtos, repassados aos usuários a preço de custo. O programa tem orçamento próprio e é implementado sem prejuízo às ações de suprimento já previstas e garantidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As unidades são instaladas pelo ministério em parceria com governos estaduais, prefeituras municipais ou entidades filantrópicas. Esses estabelecimentos são equipados com aparelhos de televisão e vídeo para a exibição das campanhas educativas do Ministério da Saúde. Todas as unidades possuem estrutura adaptada à realidade regional. As farmácias populares contam ainda com profissionais farmacêuticos e funcionários qualificados para orientar o usuário sobre os cuidados com a saúde e o uso correto da medicação.

O programa foi lançado no dia 7 de junho de 2004. Hoje, a rede de venda de medicamentos populares alcança a marca de oito milhões de unidades de medicamentos repassados à sociedade com cerca de 90% de redução do preço praticado pelas drogarias comerciais.

Os maiores beneficiários do programa são pacientes que sofrem de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas gástricos. Entre os dez medicamentos mais procurados, oito são indicados para esses tratamentos.

Serviço:
As farmácias populares funcionam das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira, e aos sábado, das 8h às 12h.  É necessário levar a receita médica para a compra de qualquer medicamento. Os interessados podem saber o endereço da unidade mais próxima de casa pelo site:
www.saude.gov.br/farmaciapopular ou pelo telefone do Disque-Saúde: 0800-611997.

Mais 270 farmácias estão em processo de implementação e devem ser inauguradas nos próximos meses. Com as 54 já em funcionamento, são 316 habilitações (prontas ou em processo e instalação). Até o final deste ano, a meta do programa é instalar 330 unidades em todo o país, chegando a um total de 500 unidades ao final do governo.

Farmácias populares por região

 

Região

 

Cidade

 

Número de Farmácias Populares

 

Norte

 

Manaus (AM)

 

2

 

Norte

 

Belém (PA)

 

1

 

Norte

 

Palmas (TO)

 

1

 

Nordeste

 

Teresina (PI)

 

1

 

Nordeste

 

Fortaleza (CE)

 

1

 

Nordeste

 

Sousa (PB)

 

1

 

Nordeste

 

Salvador (BA)

 

7

 

Nordeste

 

Vitória da Conquista (BA)

 

1

 

Nordeste

 

Itabuna (BA)

 

1

 

Nordeste

 

Recife (PE)

 

1

 

Nordeste

 

Olinda (PE)

 

1

 

Nordeste

 

Petrolina (PE)

 

1

 

Nordeste

 

Aracaju (SE)

 

1

 

Sudeste

 

Viçosa (MG)

 

1

 

Sudeste

 

São Paulo (SP)

 

17

 

Sudeste

 

Aparecida (SP)

 

1

 

Sudeste

 

Carapicuíba (SP)

 

1

 

Sudeste

 

Rio de Janeiro (RJ)

 

4

 

Sudeste

 

Nova Iguaçu (RJ)

 

1

 

Sudeste

 

 São João do Meriti (RJ)

 

1

 

Centro-Oeste

 

Sobradinho (DF)

 

1

 

Centro-Oeste

 

Goiânia (GO)

 

2

 

Sul

 

Curitiba (PR)

 

1

 

Sul

 

Apucarana (PR)

 

1

 

Sul

 

Araucária (PR)

 

1

 

Sul

 

Caxias do Sul (RS)

 

1

 

Sul

 

Sapirana (RS)

 

1

 

Total

 

 

 

54

 

 

 

Ouvidoria 

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